A droga da flor vermelha

Nativa da Europa, a papoula era utilizada por gregos e romanos não só na culinária e como medicamento, mas também para a produção de ópio, uma droga que até o século XIX tinha sua comercialização livre, sendo posteriormente proibida devido ao seu grande poder viciante.

Essa droga abriu as portas para a descoberta de medicamentos utilizados principalmente para tratar e aliviar dores, como a codeína e a morfina.




Da Papoula (Papaver somniferum) se extrai o ópio que tem finalidade terapêutica e medicinal. Entretanto, sua utilização acabou sendo desvirtuada, passando a ser usada como droga e, inclusive por conta disso, no Brasil, seu cultivo é proibido.

No Egito Antigo, as Papoulas eram muito valorizadas e utilizadas para a produção de ópio, que ajudava a acalmar as pessoas e a fazer com que elas dormissem melhor.

Há mais de cinco mil anos, os sumérios já utilizavam a Papoula para tratar problemas de saúde.

Na Mesopotâmia, doenças como insônia e constipação intestinal, eram sanadas com infusões feitas com a Papoula. Povos da Mesopotâmia como os assírios e, depois, os babilônios, extraiam o suco leitoso dos frutos para fazer remédios.

Hipócrates, médico da Antiga Grécia, foi um dos primeiros a descrever os efeitos medicinais da Papoula para tratar diversas doenças.

Em Roma, o ópio extraído da Papoula era utilizado para tratar os gladiadores.

Com o advento da Expansão Marítima e as rotas comerciais, o ópio da Papoula acabou se tornando mais conhecido e comercializado.

No início do século XVI, o uso do ópio se difundiu pela Europa. Nesse período a Igreja Católica combateu o seu uso e começou a controlar os remédios à base de ópio. Nessa época, Paracelso, o famoso médico e alquimista suíço, elaborou um concentrado de suco de Papoula, o Láudano, com propriedades de curar muitas doenças e rejuvenescer. Esse fato provocou a popularização do uso ópio no mundo ocidental.

Por volta de 1803, o cientista alemão Frederick Sertuener, constatou que os vários princípios ativos da Papoula produziam efeitos diversos. Do ópio se obteve um cristal alcalóide de efeito muito intenso: a morfina, utilizada como componente em medicamentos alopáticos para casos de dores intensas e muio fortes.

A Papoula é uma planta da Família das Papaveráceas, e a sua espécie mais conhecida, a Papaver somniferum, é aquela popularmente chamada de Dormideira.

É uma herbácea anual com propriedades alimentares, oleaginosas e medicinais. Essa planta tem um caule alto e ramificado, com folhas ovaladas. As flores são grandes, brancas, rosas, violáceas ou vermelhas, e o fruto é uma cápsula.

Nesta planta circula um látex branco. A papoula é tóxica, com exceção das sementes maduras.

O ópio é extraído a partir do látex contido nas cápsulas que não atingiram a maturação. Ao se fazer cortes na cápsula da papoula, ainda verde, se obtém um suco leitoso que é o ópio, que contém cerca de 25 alcalóides, o mais importante deles é a morfina, presente em até 20% no ópio.

O nome científico da planta “somniferum” relaciona-se a sono. A origem do nome “morfina”, está relacionada o deus da mitologia grega Morfeu, o deus dos sonhos. E essas relações são bem significativas pois o ópio e a morfina atuam como depressores do sistema nervoso central.


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